Primeiras Danças Afro-Cubanas

jan 5 '10

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Primeiras Danças Afro-Cubanas

Em 1513 entram em Cuba os primeiros escravos africanos para substituir o índio nos duros trabalhos do campo, uma vez que o índio ficou quase exterminado no o século XVII. Junto aos distintos grupos étnicos trazidos da África, vieram suas expressões culturais, artísticas e religiosas.

Muitos pensam que a música herdada dos escravos não pertence ao folclore cubano e, na realidade, esta música é de origem africana, porém se desenvolveu e evoluiu totalmente no povo cubano. Suas danças e cantos simples eram comuns em cerimônias fúnebres, de iniciação e em homenagem a algum deus. Os grupos de procedência banto possuem danças coletivistas, entre elas a dança Maní, já em desuso, exclusiva para homens, embora algumas mulheres “fortes” também a dançassem. Assemelhava-se a um esporte de pugilismo à base de golpes e se apostava dinheiro como nas brigas de galo

La Makuta era uma dança antiga e secreta, também na Regla Conga. Dançava-se dentro de um quarto sagrado. O dançarino vestia uma roupa feita com a pele da frente do veado, adornava a cintura, os ombros e as pernas com sinos e chocalhos, e pendurava uma gangarria no peito.

A Dança do “Palo” ou Garabato se caracterizava por um movimento brusco dos braços com o peito para frente e às vezes circular. Não se usava tambor, mas sim um pau de guayabo dando um paulada seca entre os dançarinos e assim se acentuava o ritmo da dança. Este choque serve para irradiar força da terra e poderes benéficos.

Por último, havia o Baile de La Yuka, uma dança da fertilidade e erótica em que se movimentava a pélvis como que consumando o ato sexual. Era acompanhada por tambores chamados da mesma forma. Alguns informantes de Lydia Cabrera diziam Yuka ou Makuta indistintamente, e se nota que o tempo influenciou e transformou alguns desses cantos e coreografias em diversas regiões, assim como tem ocorrido com todos os cultos de transmissão oral, que não são precisos em todas as partes que se conhecem. Nas danças dos Iorubás (Santero) cada santo tem uma dança diferente que com seus movimentos tenta demonstrar seu caráter. Assim Oxóssi, por ser o deus da caça, sua dança é rica em gestos de caça, e as de Iemanjá, a deusa do mar, possui movimentos vivos e ondulados como as ondas do mar, algumas vezes calmas e outras tempestuosas. Por outro lado, Xangô, deus do raio, do fogo e da virilidade, quando está dançando, coloca a língua para fora como querendo dizer que a tem de fogo, dando pulos bem altos e fazendo contorções bem estranhas, tratando de enfatizar sua prepotência com evocações puras de erotismo e sexualidade.

Quando se está dançando, os crentes que dançam, ou simplesmente os que participam cantando ou observando, vão sendo possuídos por algum morto (se for congo) ou por um santo (se for iorubá), ou seja, recebe em seu corpo o espírito de alguma entidade.

Todas essas danças possuem características similares à base de fileiras ou círculos, apesar de que algumas foram se desenvolvendo com o tempo e adquiriram novas coreografias. Estas danças nunca se tornaram populares pelo seu caráter intrinsecamente religioso. O povo identifica tudo isso como Toques de Santo e sua fidelidade foi privativa dos negros (seus primeiros praticantes). Por outro lado estão os Bembé, dos quais participam brancos curiosos, que iam observar as danças dos negros e mulatos. Algumas dessas danças ainda vigoram em Cuba, das quais se originaram as danças populares.

(Tradução: Ricardo Garcia  – Original escrito por Fernando Ortiz e María Argelia Vizcaíno)

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