Carnaval e Salsa

jul 3 '09

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Carnaval e Salsa

Pela segunda vez a Salsa me leva ao carnaval.

A primeira, em 2002, foi como dançarino da banda de Pedro La Colina, contratado para tocar no camarote da Brahma, no sambódromo de SP, animando os intervalos entre um desfile e outro. Desta feita, depois de cair de pára-quedas no carnaval baiano, fui convidado por Jorge Zarat, cantor e líder da banda Salsalitro (cuja temporada em São Paulo foi marcada por uma grande parceria com a Cia Conexión Caribe) a percorrer o circuito Barra-Ondina, no Trio Elétrico da banda, durante o último carnaval de Salvador.Feliz e surpreso com o convite, me perguntava como seria a reação do público a uma banda de Salsa em pleno carnaval, ainda mais na Bahia.

Enquanto esperava os preparativos da banda e do caminhão do trio elétrico para sair na avenida, já tomada de foliões, imaginava o que menos aguardava. Primeira surpresa: descobri que as duas horas que eu supunha durar o percurso eram, na verdade, seis ou sete! Caramba… pensei! Poucas vezes dancei seis ou sete horas seguidas de Salsa! Como os músicos agüentam? Como eu agüentaria?Até parece que eu não sabia a resposta.

O fato é que quando o carro entrou na avenida, ao som de “La Vida És Un Carnaval” desejei do fundo do coração que Célia Cruz, lá do alto, estivesse vendo aquilo. Dois milhões de pessoas (isso mesmo: dois milhões, segundo as estimativas!) pulando e vibrando em sintonia com a energia e o carisma impressionante de Jorge Zarat, do maestro Reudes Nogueira e dos tambores, cordas e metais da Salsalitro.

À medida que avançávamos na multidão, seguidos por boa parte da galera salsera da Bahia, mais aquilo parecia mágico. Não imaginei ver um dia, no Brasil, a Salsa no meio de tanta gente. Mesmo sabendo que o baiano é festeiro por natureza e é capaz de dançar ao som de qualquer coisa, mesmo assim era impossível não se impressionar com a força, a energia, o calor de toda aquela gente, misturados ao calor e à impressionante energia da salsa. E cada vez mais eu desejava que aquilo não acabasse nunca.

É claro que a banda misturou muito merengue e sucessos da música baiana (Gil – o ministro, Gerônimo, Ivete, Luis Caldas), em arranjos próprios, às Salsas tradicionais. E nem poderia ser diferente (aliás, primoroso o arranjo de “Poeira”, o maior hit do carnaval 2004, em ritmo de cha-cha-cha!). Mas o fato é que ouvimos e dançamos, junto a dois milhões de pessoas, Célia Cruz, Perez Prado, Glória Stefan, Ruben Blades e Juan Luis Guerra, entre outros. Salsa, Mambo, Merengue e Chachacha. No Brasil. E em pleno carnaval.

É impossível passar incólume por uma experiência dessas!
Meu coração salsero não cabia em si de felicidade e de esperança. E meus pensamentos voaram muito, muito longe… Quem sabe?

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